Facebook: O Dilema da Privacidade

The Facebook privacy debate

Recentemente, Chris Hughes, cofundador do Facebook, foi até a CNN para declarar que ele acredita ser a hora de parar com os mitos das redes sociais. Ele descreveu uma epifania em que ele percebeu que plataformas como as redes sociais não estão simplesmente trazendo à superfície as tendências humanas para discutir ferozmente diversas questões, políticas ou qualquer outra, mas que a própria rede social é projetada para criar esse conflito. Ele disse que essa é a natureza do algoritmo do feed.

Da mesma forma, ele tocou no assunto sobre o escândalo controverso da Cambridge Analytica no qual foi descoberto que “roubaram” dados pessoais de centenas de milhares, potencialmente milhões de usuários para influenciar as eleições.

Ele declarou que por esses motivos e outros, ele sentiu que era hora do governo intervir, controlar e acabar com o Facebook. Que Mark Zuckerberg simplesmente tinha muito poder. Ou, para resumir: o Facebook tem influência em nível muito extremo, mais do que qualquer outro governo ou organização comercial.

A luta é real

Conexões online
Fonte: Pixabay

Simplesmente não há como negar que as questões com o Facebook são bastante reais. A verdade é que o público não está dando a atenção que deveria, mesmo com os escândalos aparecendo quase todos os dias. Apenas em meses recentes, o número de abusos de privacidade do usuário é incontável. Por exemplo, em 21 de março de 2018, foi revelado que senhas de centenas de milhões de usuários foram armazenadas em texto simples em um banco de dados interno que estava livremente acessível aos funcionários.

Este é apenas um escândalo, mas o escândalo com a Cambridge Analytica talvez seja um dos maiores incidentes de uma corporação nas relações mundiais, e foi o único que chamou atenção. A propósito, a multa por este escândalo foi de meio milhão de libras. Esta é a maior multa que o Reino Unido pode legalmente aplicar. Coitado do Facebook. Tem como sair dessa?

Resumindo, dizer que o Facebook tem uma quantia alarmante de influência é um eufemismo, e dizer que a empresa é culpada por violar leis, intencionalmente ou não, também é um eufemismo.

A maré está virando

Facebook afetando as nossas vidas
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O problema com a lei é que ela é lenta para responder, e até mesmo mais lenta para tomar uma atitude quando se trata de situações em evolução. O Facebook cresceu muito rápido e em muito pouco tempo. As violações de privacidade, por mais graves que sejam, não podem ser atendidas pela força completa da lei simplesmente porque as leis atuais em grande parte do mundo não são projetadas nem capazes de lidar com a situação de forma efetiva.

Claro, isso tudo está mudando, por mais lento que seja o processo. Em 8 de maio nos Estados Unidos, chamadas da Comissão Federal do Comércio foram realizadas para atualizar as leis de privacidade digital; um passo que eles esperam que torne as corporações mais responsáveis por como lidam com informações particulares de usuários. Sheryl Sandberg, CPO do Facebook, foi chamada para se reunir com funcionários do governo. Para perceber como a lei é tão lenta, as coisas só estão acontecendo agora depois de um oceano de escândalos envolvendo o Facebook.

Por outro lado, leis criadas urgentemente também não são uma boa forma de resolver os problemas. Bom, e o que será feito a partir de agora? E como? Veremos.

Não tão simples assim

Facebook mudando a rede social
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Por outro lado, algumas das questões envolvendo o Facebook não são tão simples assim. As fake news (espalhar informações incorretas) já atingiram proporções inimagináveis. O público geral nunca esteve afundado em um fluxo de tantas coisas sem sentido, geralmente com natureza predatória. Até a conspiração de que a Terra é plana ganhou atenção.

Sobre isso, a natureza confusa da liberdade de expressão agora é exposta. O Facebook não se atreveria em censurar. Pense nas consequências e mais escândalos que isso causaria! Mas permitir que informações incorretas circulem também desagrada outro grupo. Diferentemente de quando você joga caça-níqueis online, essa é uma situação que não há vencedores.

O Facebook deve ser desativado?

Chris Hughes, cofundador da empresa, sugeriu isso, e isso resume a situação inteira. Alguns insistiriam que o escândalo com a Cambridge Analytica já é o suficiente para derrubar de vez a rede social.

Então por que ela ainda não foi fechada? O governo deveria intervir e desativar uma empresa com problemas que a própria lei não é feita para tratar? A lei deveria ser atualizada para cobrir este assunto moderno?
Acho que descobriremos em algum momento.